Nobel da Paz premiou o homem que está a tentar mudar a Etiópia

Abiy Ahmed Ali, primeiro-ministro etíope, foi galardoado com o 100º Nobel da Paz. O comité reconheceu os seus esforços para resolver o conflito com a vizinha Eritreia e as suas intenções de democratizar o país
Na Etiópia, a paz ainda não é um dado adquirido, mas o comité Nobel deposita uma grande esperança no primeiro-ministro do país para o conseguir.

Abiy Ahmed Ali é o laureado de 2019 com o Prémio Nobel da Paz. Ganhou-o, segundo o comité Nobel norueguês, “pelos seus esforços para alcançar a paz e a cooperação internacional, em particular pela sua iniciativa decisiva para resolver o conflito fronteiriço com a vizinha Eritreia”.

Etiópia e Eritreia celebraram um acordo de paz no ano passado, pondo um ponto final a um conflito que durava há 20 anos. Abiy Ahmed Ali levava apenas três meses no cargo de primeiro-ministro quando protagonizou a histórica cimeira de Asmara, na Eritreia, a 8 e 9 de julho do ano passado.

Desde que subira ao cargo, este antigo funcionário dos serviços de informação militares da Etiópia — nascido em 1976 — exprimiu a intenção de pacificar a relação bilateral, enfatiza o Comité Nobel, que não esqueceu a colaboração do Presidente eritreu, Isaias Afwerki. Terem aceitado a decisão arbitral que fora emitida, em 2002, por comissão internacional para discutir as fronteiras foi um passo crucial.

Chegado ao poder, o primeiro-ministro introduziu medidas no sentido da liberalização da economia, abriu as portas das cadeias a milhares de ativistas da oposição e permitiu o regresso ao país de dissidentes exilados no estrangeiro.

Levantou o estado de emergência que vigorava no país, pôs fim à censura da comunicação social, legalizou forças da oposição que estavam proibidas, afastou dirigentes militares e civis suspeitos de corrupção e aumentou o número de mulheres em cargos de poder, nomeadamente chefiando um Executivo paritário e designando a primeira ministra da Defesa na história da Etiópia.

O Comité afirmou esperar que esta distinção incentive os esforços continuados de Abiy Ahmed e Afwerki, mas também o caminho da Etiópia rumo à democracia plena.

O etíope Abiy Ahmed (à esquerda) e o eritreu Isaias Afwerki celebram a reabertura da embaixada da Eritreia na Etiópia, a 16 de julho de 2018
O etíope Abiy Ahmed (à esquerda) e o eritreu Isaias Afwerki celebram a reabertura da embaixada da Eritreia na Etiópia, a 16 de julho de 2018

O comunicado do júri elogia ainda a mediação de Abiy Ahmed em processos de paz entre a Eritreia e o Djibuti e entre o Quénia e a Somália, bem como entre o Governo e a oposição do Sudão.

Frisando que a Etiópia é um país de muitas línguas e povos, o comité alerta para o ressurgir de velhas rivalidades (houve mesmo exemplos nas últimas semanas e meses, lê-se no comunicado) e para a existência de três milhões de etíopes internamente deslocados, a que acrescem cerca de um milhão de refugiados e candidatos a asilo de países próximos.

O CENTÉSIMO PRÉMIO NOBEL DA PAZ
O Nobel da Paz é concedido desde 1901 para distinguir “a pessoa que fez mais ou melhor trabalho em prol da fraternidade entre as nações, da abolição ou redução de exércitos permanentes e da realização e promoção de congressos de paz”, determinou o industrial Alfred Nobel no seu testamento.

Antes deste ano o prémio fora entregue por 99 vezes, consagrando 89 homens e 17 mulheres. Em 2014, a estudante paquistanesa Malala Yousafzai tornou-se o laureado mais jovem de sempre. Tinha 17 anos.

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