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Namorar não é ser dono. Governo lança campanha contra violência no namoro

O Estudo Nacional sobre a Violência no Namoro 2020, realizado pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) com o apoio da Secretaria de Estado para a Cidadania e a Igualdade, revela que 58% dos jovens reportam já ter sofrido pelo menos uma forma de violência por parte de um atual ou ex-companheiro. O estudo também que 67% de jovens consideram como natural algum dos comportamentos de violência e aponta para a elevada prevalência da violência psicológica, exercida através das redes sociais ou em atitudes de controlo (sobre o vestuário, hábitos de convívio ou outros comportamentos).

 

O Governo quer contrariar esta tendência e, por isso, neste Dia dos Namorados, lança uma campanha com o lema: #NamorarNãoÉSerDon@.

 
 

Em declarações à TSF, a ministra da Presidência e da Modernização Administrativa, Mariana Vieira da Silva, explica que o objetivo é desconstruir a ideia de que a violência é algo normal.

“Durante muitos anos, em Portugal, acreditou-se que a violência doméstica era um fenómeno datado, geracional e que, com o tempo, seria ultrapassado. Aquilo que fomos percebendo é que isso não é assim”, começa por referir Mariana Vieira da Silva.

 
 

A ministra recorda que os dados “mostram uma percentagem muito significativa dos jovens a relatar situações, nas suas relações atuais ou anteriores, de alguma forma de violência” e que “cresce o número de jovens que acham que isso é natural”. Pelo que o Governo está agora preocupado em “desconstruir essa imagem de naturalidade”.

“Não é normal que se exijam passwords de redes sociais, não é normal que as pessoas vejam os telemóveis uma das outras, não é normal que as impeçam de vestir de uma determinada forma”, sublinha Mariana Vieira da Silva.

 

Nesta campanha de prevenção e combate à violência no namoro, procura-se ainda mostrar que não se deve ter vergonha de denunciar os atos de violência.

“Procuramos fazer saber a todos, tanto aos jovens como aos adultos, como lidar com estas situações: dizer a quem se devem queixar, para que número devem ligar, e dizer que podem falar com a família e com amigos; e, por outro lado, formar os profissionais (professores, enfermeiros,…) sobre como lidar com essas situações de violência”, explica a ministra.

 

A Campanha Nacional de Prevenção e Combate à Violência 2020 – #NamorarNãoÉSerDon@ e vai ser apresentada esta sexta-feira, pelas pelas 14h30, a cerca de uma centena de jovens, no Chapitô, em Lisboa.

A campanha é realizada em parceria com o Movimento #NãoÉNormal e conta com a colaboração na divulgação do Parlamento dos Jovens e de mais de 50 entidades da Plataforma Contra a Violência no Namoro, coordenada pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género.

 

A Linha de atendimento da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, um serviço gratuito de informação às vítimas de Violência Doméstica e que funciona 24 horas por dia durante todo o ano, registou 465 atendimentos em 2019 (mais 143 situações, em relação a 2018).

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