BE critica proposta do Governo para eleição indireta dos presidentes das CCDR

O deputado do Bloco de Esquerda eleito pelo círculo de Braga, José Maria Cardoso, afirmou que o decreto que consagra a eleição indireta dos presidentes das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional partidariza todo o processo e acusa o Governo de adiar o processo de regionalização.

José Maria Cardoso

Em conferência de imprensa, realizada esta segunda-feira, o deputado refere que a proposta do Governo “configura uma perspetiva distorcida de poderes intermédios e de configuração do poder nas autarquias locais, cultivando regimes presidencialistas” e que o está em causa é “uma interpretação redutora de não efetivação de algo que está consagrado na Constituição desde 1976, a Regionalização”.

José Maria Cardoso denuncia que “toda a narrativa da argumentação e exposição de motivos que sustentam as razões do decreto são no sentido da legitimidade democrática a nível regional em que todos se vejam representados” e contraria esses argumentos.

“A eleição do presidente por um colégio de eleitoral composto pelos eleitos autárquicos da área territorial distorce a legitimidade democrática de um sufrágio direto e universal, porque nenhum autarca foi eleito com atribuição desta competência”, afirma o deputado e acrescenta que “mesmo partindo do princípio da representatividade dos autarcas, o decreto aponta para uma eleição a decorrer no mês de setembro, precisamente a um ano de eleições autárquicas”.

O dirigente bloquista fala ainda em “sérios riscos de partidarizar todo o modo de funcionamento”, uma vez que o Governo propõe que pode ser eleito qualquer cidadão licenciado, desde que a sua candidatura seja proposta por, pelo menos, 10% dos membros do colégio eleitoral. “Esta entorse à democracia, que efetivamente retira a capacidade eletiva a quem não estiver a coberto dos partidos maioritários, para o BE consubstancia uma hipotética inconstitucionalidade”, sublinha.

Sobre os mandatos dos presidentes e vice-presidentes que cessam por deliberação do Governo, o deputado entende que “esta é uma visão centralizadora de exercício do poder, que em nome da dita descentralização amarra os autarcas eleitores ao espírito dessa visão”.
O bloquista refere que o Bloco apresentou um projeto de resolução para a cessação de vigência do Decreto-Lei n.º 27/2020, de 17 de junho, que “Altera a orgânica das comissões de coordenação e desenvolvimento regional”, iniciativa rejeitada com os votos contra do PS e PSD e a abstenção do PAN. 
O deputado informou ainda que o partido enviará aos presidentes de câmara e das assembleias municipais dos 14 concelhos do distrito um requerimento com questões sobre esta matéria, “porque consideramos que este é um problema que diz respeito às autarquias, até porque as envolve diretamente no processo de eleição e lhes traz responsabilidades acrescidas nessas decisões”. 

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