Pesquisa personalizada
Escrito por Ermelinda Silva    Terça, 14 Outubro 2008 00:00    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Fátima, sempre!
Avaliação: / 12
FracoBom 
Vasculhando nas bancas de uma feira do livro descobri um título: “Fátima, nunca mais”. Não o perdi de vista, dei mais umas voltas a pensar no título e na pressa de me sentar a lê-lo. Mas antes já tinha lido quase tudo sobre as Aparições e “As Memórias da Irmã Lúcia”. Isto foi há uns anos…
No livro, um Padre desmontava, um por um, todos os pormenores das Aparições, refutando cada acontecimento com uma certeza científica inquebrável.
Teoricamente, tudo certo; racionalmente, tudo lógico; jornalísticamente pobre, aligeirado, superficial. Bombástico e escandaloso para os que têm devoção e crêem fielmente nos Mistérios da Cova da Iria. Em tempos tinha aprendido em Liturgia que o Mês Teológico de Nossa Senhora não é Maio ou Outubro mas todo o Tempo de Advento até ao Natal. Causou-me já então, alguma estranheza até aprofundar o assunto, lendo, formando-me, estudando a Sagrada Escritura, rezando. Foi quando encontrei de Jean Danièlou, “O Mistério do Advento” que me deu Luz. Comecei a interessar-me por Fátima, a ir lá aos fins de semana, a ficar, a caminhar por aqueles” Valinhos fora, a rezar sem terço, a silenciar no meu coração o sentido de cada pormenor, a falar com as minhas dúvidas, a calcorrear as pedras para desfazer os equívocos que em duas situações aprendidas me tinham feito ligeiras mossas como uns sapatos novos às vezes fazem nos pés. Deixei-me arrastar pelo profundo, pelos sinais deixados nas casas dos Pastorinhos em Aljustrel; entrei, respirei, saboreei. Na Cova da Iria seguia atenta e devotamente as celebrações do Terço e da Missa, não perdia a Procissão do Santíssimo Sacramento nos meses de férias, todas as tardes a Transladação do Santíssimo da Basílica para a capela de Adoração Permanente. À noite ia à procissão de velas mas sentava-me na Escadaria do lado esquerdo da Colunata num plano mais alto para ver na escuridão, rezar com a multidão de fé iluminada pelas velas a percorrer o espaço do Recinto. Dava por mim a cantar baixinho e a rezar as contas desencontradas do Terço. Ali caíam todas as interrogações do dia, todos os pecados me pareciam perdoados só por estar naquele lugar em frente à Capelinha das Aparições, enrolada no meu kispo, a sentir o frio a trespassar-me mas igualmente a sentir uma fonte de calor imensa que me calava a fala… Muitas vezes dialoguei a minha vida nas noites do Recinto enquanto se ouvia o Coro a entoar “Glória ao Pai e ao Filho e ao Espírito Santo…” No regresso a casa ia cheia de tudo: fé, coragem, fortaleza, esperança, e a vida passava leve no meio das tribulações. Fátima representou na minha vida, Aquela Casa de Lisboa que eu nunca tive, aqueles fins-de-semana em que as aulas me cansavam tanto que só lá me enchia de força, principalmente em férias. Comecei a passar lá pelo menos metade do mês de Agosto. Iam para lá vários colegas, às vezes com familiares mais idosos porque lá ninguém atropela ninguém, é um sítio de paz, de respeito, de tranquilidade. Foi lá que aprendi a devoção a S. José, que me liguei à Sua protecção e com S. José falo todos os dias. Sim, porque falar de Maria, de Nossa Senhora como uma Senhora sozinha, sem falar com Jesus e com o Pai adoptivo, sem falar com a Sua Família, a Sagrada Família de Nazaré, não faz sentido. Existe ao lado da Basílica a Capela de S. José onde se celebra Missa diária (porque S. José apareceu na última Aparição com o Menino ao colo, quando se deu o Milagre do Sol). E agora, para completar a Mística do Silêncio de Fátima, existe também a Igreja da Santíssima Trindade. Concluiu-se pois, que não se pode falar das Aparições de Fátima fora do Mistério da Trindade e fora do Mistério Eucarístico. Os cristãos nunca poderão ler ou aprender sem questionar mas nos assuntos de Fé têm de meter o coração e os sentidos e escutar, perscrutar. A razão ou inteligência é muito frágil para abarcar com os Mistérios de Deus. É nesta atitude que se dissipam as dúvidas e que se entra na Admirável Comunhão dos Anjos e dos Santos, de Santa Maria, Mãe de Deus e Nossa Mãe!
 
Autor: Ermelinda Silva


 

Comentar


Código de segurança


Actualizar