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Escrito por Manuel José Pinto da Costa    Quarta, 29 Outubro 2008 00:00    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Banca versus Famílias
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Banca versus Famílias

Vivemos tempos de grande turbulência e instabilidade económica que merecem de todos uma séria e profunda reflexão. Os governos dos países ocidentais e da Ásia reuniram para analisar a situação e coordenar estratégias com vista a melhor enfrentarem a crise financeira e estimularem a economia. O Governo Português já decidiu avalizar o sector bancário em verba muito considerável para que este não se afunde nesta crise global.
A posição do Governo, que é legítima e oportuna, merece no entanto um forte reparo no sentido em que, tanto quanto me é dado saber, não acautelou a exigência do prévio regresso dos paraísos fiscais dos bens de cada Banco, eventual beneficiário do aval, onde porventura terão valores depositados, superiores ao aval a conceder. Também não constou que fossem retiradas regalias ou fossem baixados os vencimentos aos administradores dessas instituições, co-responsáveis pela situação a que se chegou. Bem sei que são instituições privadas e que o Estado pouco pode interferir, será? Como se pode explicar a analfabetos em economia e finanças como eu, que, Bancos que deram centenas de milhões de contos de lucro no ano passado e mesmo algumas dezenas de milhões nos dois trimestres anteriores do corrente ano, que de repente estejam na eminência de falir? Para onde foram esses lucros se é que na verdade existiram? Será que a D. Branca foi injustiçada ao ter sido presa sozinha? Estou cada vez mais convicto que sim. É uma pena vivermos num país onde apenas os ricos contam, daí que não irá longe caso não mude de rumo. A força motriz duma Nação é o seu povo e sem o seu empenhamento não se ultrapassam crises, sendo que para que as classes trabalhadoras se galvanizem têm que reconhecer nas lideranças competência, honestidade e solidariedade. O Governo teria marcado pontos com esta decisão para o sector bancário, se aquando da escalada de subida dos juros que arruinou muitas famílias, tivesse actuado com idêntico empenhamento, mas aí defendeu que tinha que se deixar funcionar o mercado. Mais uma vez vem, oferecendo-se apoiar as famílias, dar a mão novamente aos Bancos, com os imóveis do crédito mal parado e em vias de o estar, dizendo às tais famílias aflitas que se quiserem podem ficar a pagar menos vinte por cento a título de renda, pela casa que estavam a pagar e que desde essa altura deixa de ser sua, com a garantia que, se tiverem mais tarde vontade e capacidade financeira poderão readquiri-la. Não se pode brincar com o esforço dos mais desfavorecidos, nem daqueles que pelo trabalho árduo querem vencer na vida. Porque não dar um aval a essas famílias e face a esse aval do Estado, negociar com os Bancos a redução do spread dos seus empréstimos, a dispensa de seguros de vida, a isenção de eventuais juros de mora, a criação de períodos de carência em que apenas pagariam juros até melhorarem a sua situação, o aumento do período do empréstimo, etc. Estas, parecem-me ser medidas, que em nada lesariam o erário público e seriam integradoras, estimulantes e solidárias para com esses agregados, dignificantes para os decisores políticos e respeitadoras da propriedade privada.
 
Autor: Manuel José Pinto da Costa
Fonte: Jornal de Vieira


 

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