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Escrito por Manuel José Pinto da Costa    Quarta, 26 Novembro 2008 00:00    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Implosão do Capitalismo Selvagem
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A Implosão do Capitalismo selvagem

Não há mais lugar para charlatanices políticas, no sentido de fazer crer ao povo que a actual situação económico-financeira irá ser ultrapassada com mais umas quantas habilidades de ocasião em que a classe política se tornou perita. O mundo ocidental começou a rumar ao abismo quando pensava que estava a alcançar o Céu! Refiro-me ao fim do “muro de Berlim”. A partir daí poderíamos ter desenvolvido uma era economicamente próspera e socialmente mais justa, já que o fantasma do confronto de blocos havia
desaparecido. Gozámos com o fim da URSS e com o desmoronar de Nações até então coesas, julgando que do mal dos outros nos resultaria benefício. As verbas poupadas desde então em armamento, poderiam ter servido para atenuar desigualdades e reforçar os cofres dos vários países ocidentais. Não, achou-se que não era esse o caminho, ao contrário abandonaram-se princípios de solidariedade, deixaram-se cair as doutrinas social-democratas puras e remou-se no sentido do capitalismo selvagem. As grandes fortunas cresceram em espiral, a fuga ao fisco tornou-se numa espécie de religião com milhões de seguidores, a promiscuidade entre os grandes grupos económicos e o poder político minou a credibilidade dos regimes. As administrações desses potentados económicos passaram a ser quase sempre entregues aos “senhores do cartão” dos partidos políticos dominantes, controlando depois as empreitadas e os concursos públicos de milhões, auferindo vencimentos escandalosos e criando fortunas colossais que depois os obrigam a geri-las em lugar de cumprirem a função de administrador. Os resultados das empresas são em boa parte absorvidos pelos vencimentos das administrações, dando-se aos trabalhadores salários miseráveis face aos lucros apresentados. Os Bancos obrigam os seus funcionários a horários que roçam a escravatura, cobrando taxas aos utentes de legalidade duvidosa, avolumando lucros que deveriam ser tributados como as demais empresas e não o são. Os valores morais tal como os conhecíamos, desaparecem. O Mundo Ocidental divorcia-se de Deus e parece nascer o complexo de ser Cristão, como se a nossa identidade civilizacional daí não derivasse. A família desmorona-se e os Estados nada fazem para preservar esse pilar fundamental da sociedade. A segurança das relações laborais pura e simplesmente acaba destruindo por completo o sonho das camadas mais jovens da população em organizar o seu futuro. Os jovens deixam de pensar no casamento antes dos trinta anos e fala-se agora mais em ajuntamento perante a falta de perspectivas de futuro. Uma parte significativa da população vive agora á custa do “rendimento mínimo “, tendo deixado de lutar pela vida, conformando-se com esta nova forma de mendicidade pouco dignificante para pessoas com saúde e idade para trabalhar, mas indispensável para os mais idosos e incapacitados. Vamos ter que arregaçar as mangas, motivar a nossa juventude criando-lhe relações sólidas de emprego e provocá-la no sentido de mostrar que é capaz de fazer mais e melhor que a geração anterior e é, largar o chicoespertismo, voltar a trabalhar os nossos campos, replantar as nossas florestas, relançar as pescas, dinamizar o mercado com os países de expressão portuguesa, (sim, continuo a pensar que o nosso futuro de prosperidade está a Sul e não na Europa), aproveitar as potencialidades do turismo rural, potenciar a onda ambientalista e assumirmos a vanguarda das energias renováveis. Resumindo, teremos que voltar a ter orgulho nesta Pátria que é de todos nós, onde o lema de vida volte a ser a felicidade e não a excelência. 
 
Autor: Manuel José Pinto da Costa
Fonte: Jornal de Vieira


 

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