É o amianto, afinal, realmente perigoso?

Até 2020, o Governo quer remover todos os materiais com amianto dos edifícios públicos.

Então mas o que se sabe sobre esta substância tão utilizada a partir da II Guerra Mundial e completamente proibida na União Europeia desde 2005?

Com os últimos protestos onde uma das principais causas de preocupação é o amianto que se julga poder ter contribuído para problemas graves de alguns funcionários e alunos, a vieiradominho.tv decidiu investigar um pouco sobre a história deste material.

O amianto (ou asbestos) é a designação comercial utilizada para a variedade fibrosa de seis minerais metamórficos de ocorrência natural.

Devido às suas propriedades (elasticidade, resistência mecânica, incombustibilidade, bom isolamento térmico e acústico, elevada resistência a altas temperaturas, aos produtos químicos, à putrefação e à corrosão) o amianto teve, no passado, numerosas aplicações nomeadamente na indústria da construção, encontrando-se presente em diversos tipos de materiais tais como: telhas de fibrocimento, revestimentos e coberturas de edifícios, gessos e estuques, revestimentos à prova de fogo, revestimentos de tetos falsos, isolamentos térmicos e acústicos, entre outros. Na Europa foi particularmente utilizado entre 1945 e 1990.

Em Portugal, foi proibida a utilização/comercialização de amianto e/ou produtos que o contenham a partir de 1 de janeiro de 2005, de acordo com o disposto na Diretiva 2003/18/CE transposta para o direito interno através do Decreto-Lei nº 101/2005, de 23 de junho.

Riscos do amianto existente

O perigo do amianto decorre sobretudo da inalação das fibras libertadas para o ar.

Regra geral, a presença de amianto em materiais de construção representa um baixo risco para a saúde, desde que o material esteja em bom estado de conservação, não seja friável e não esteja sujeito a agressões diretas. Qualquer atividade que implique a quebra da integridade do material (corte, perfuração, quebra, etc.) aumenta substancialmente o risco de libertação de fibras para o ar ambiente.

Neste contexto, a confirmação da presença de amianto em determinado material deverá ser feita através de análise em laboratório. Confirmada a presença de amianto será necessário proceder à avaliação da contaminação do ar por fibras respiráveis que requer a intervenção de técnicos com formação especializada e o recurso a equipamento adequado.

Quando se suspeite da existência de material com amianto e com risco de libertação de fibras para o ar, só com medições feitas com equipamento adequado e por técnicos especializados é que é possível a determinação destas fibras e da sua concentração.

Doenças associadas ao amianto

As diferentes variedades de amianto são agentes cancerígenos, devendo a exposição a qualquer tipo de fibra de amianto ser reduzida ao mínimo.

As doenças associadas ao amianto são, em regra, resultantes da exposição profissional, em que houve inalação das fibras respiráveis. Estas fibras microscópicas podem depositar-se nos pulmões e aí permanecer por muitos anos, podendo vir a provocar doenças, vários anos ou décadas mais tarde.

A exposição ao amianto pode causar as seguintes doenças: asbestose, mesotelioma, cancro do pulmão (o fumo do tabaco poderá ser uma variável de confundimento, agravando a evolução da doença) e ainda cancro gastrointestinal.


o Governo quer remover todos os materiais com amianto dos edifícios públicos.

Muitos edifícios públicos do país foram construídos com coberturas em fibrocimento que contêm esta substância, o caso da Escola EBS Vieira de Araújo. E, até 2020, o Governo quer remover todos os materiais com amianto dos edifícios públicos.

A probabilidade de haver libertação de fibras, durante a sua “vida útil” ou a sua remoção, acaba por ser bastante baixa.

No entanto se estivermos a falar de um material que esteja muito envelhecido, degradado ou que já tenha sido alvo de alguma agressão directa (isto é, quebrado, cortado ou perfurado), o cenário pode alterar-se.

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