|
||||
| Tiro ao prato: Atiradora vence numa modalidade de homens |
A jovem Ana Rita Rodrigues preenche um dos lugares prestigiados entre os melhores atiradores portugueses. Familiarizada com os campeonatos europeus e mundiais, aos 19 anos, as armas não guardam segredos para ela e junta troféus.Aos 19 anos, Ana Rita Rodrigues já tem uma ampla experiência com as armas. Vive em Vieira do Minho e atira pelo Clube de Caçadores da Póvoa de Lanhoso. Desde pequena que se mantém nestas andanças e tem sempre cultivado o seu gosto pela modalidade, “Quando tinha cerca de 10 anos, comecei a acompanhar o meu pai nas provas de tiro, o que começou a despertar a minha atenção”. Não foi preciso muito tempo para a atleta começar a juntar troféus. Apesar de todas as conquistas, afirma ainda lhe faltar muito para conquistar “e as conquistas nunca são demais, pois sabem sempre muito bem. No fosso olímpico tudo que ganhei nos campeonatos da Europa foi em júnior. No fosso universal já consegui ser campeã da Europa de seniores, mas o meu desejo é consagrar-me no fosso olímpico para um dia poder participar nos jogos olímpicos”. As armas já não têm segredos para a jovem. Habituou-se a disparar com precisão e rapidez, mas admite que a maior característica num atirador é “acima de tudo gosto pela modalidade”, mas também umas boas “capacidades técnicas para uma boa execução do tiro, humildade e uma personalidade forte” para aguentar a pressão nos momentos decisivos. Na mesma medida destas características, o atirador também deve desfrutar de uma estabilidade financeira. Em termos gerais, o Tiro Desportivo é considerado um “desporto caro” como ela própria o diz. A jovem atiradora explica este conceito pelos “custos elevadíssimos, e nada apoiados”. A modalidade exige determinados investimentos suportados única e exclusivamente pelo atleta. Para ser federado na modalidade é necessário “tirar licença de tiro desportivo e fazer anualmente o exame de aptidão na federação. E claro, para quem quiser fazer as provas da federação, terá que desembolsar o dinheiro das inscrições para cada prova. Inclusivamente a compra de cartuchos para provas e treinos que são bastante caros”, afirma Ana Rita. As deslocações e a arma podem ter diversos preços, tudo isto, sustentado pelo próprio atirador. Isto reflecte-se no negócio que abrange esta área, como os próprios proprietários dizem, está “parado e muito mau, aparecem mais pessoas a vender armas do que para comprar”, acrescentam ainda que isto se deve em grande parte “à legislação do país. Quem faz a legislação não está na àrea, não percebe absolutamente nada da àrea nem as complicações que gera”, concluem com despeito. Depois de ter participado em campeonatos europeus e mundiais, Ana Rita Rodrigues, nota grandes diferenças na preparação das mulheres portuguesas relativamente a outros países, “nas grandes selecções, os atletas são profissionais e dedicam-se a 100 por cento à modalidade. São muito bem acompanhados pelos treinadores e restante equipa técnica que tratam do seu sucesso no tiro. Em Portugal, isso só é possível se estes gastos forem sustentados pelos próprios atiradores. A federação infelizmente incentiva e apoia mais o sexo masculino, o que faz com que o tiro feminino não vá evoluindo e vá tendo cada vez menos praticantes, pois as mulheres vão acabando por desistir por não serem apoiadas, nem incentivadas”, conclui a atleta, desapontada. Nos campos de tiro nacionais, Rita, depara-se com outros embaraços ainda não ultrapassados. A jovem considera que ainda há preconceito relativamente às mulheres no tiro ao prato. A atiradora esclarece este preconceito por “muita gente pensar que as mulheres não sabem atirar, e que os resultados alcançados das mulheres são mais fáceis. Não têm o mesmo significado que os resultados dos homens”. A jovem serve-se destas razões para justificar o facto de haver poucas mulheres a praticarem Tiro Desportivo em Portugal, pela “discriminação” que se faz no país. Em contrapartida, atiradores experientes como António Barros e Bernardino Barros, têm outra visão e dizem não haver preconceito na modalidade. António Barros, esclarece esta visão e diz que há “mais competição na categoria masculina”, e é por este facto que normalmente o público masculino está mais concentrado e interessado nos resultados da categoria masculina. António Barros expressa ainda a sua admiração pelas mulheres: “Temos em Portugal algumas mulheres que estão ao nível dos homens e que podem chegar muito longe. É uma honra para Portugal ter mulheres já reconhecidas internacionalmente”. Apesar das dificuldades, a atiradora sente muito orgulho em vingar numa modalidade vista como “masculina”. Em entrevista, mostrou-se orgulhosa em vencer quando a participação masculina é uma maioria “é um gosto diferente, pois os homens ficam envergonhados quando derrotados por mulheres. E eu gosto especialmente de os derrotar”, admite com um enorme sorriso. Um exemplo de mulher num mundo masculino, tal como outras que têm vindo a ascender na modalidade. Como atiradora consagrada nacionalmente e internacionalmente, deixa um incentivo às mulheres, “não tenham medo de praticar o tiro, pois o tiro praticado em segurança, é bastante agradável e traz grandes vivências. Aproveito também para dizer que o tiro é um desporto como outro qualquer, e como eu mesma mostro, não é um desporto só para homens”. Ana Rita Rodrigues, contraria todos os padrões que indicam o Tiro ao Prato como um “desporto masculino” e vence sem fronteiras na modalidade. Apesar das dificuldades, a atiradora sente muito orgulho em vingar numa modalidade vista como “masculina”. Em entrevista, mostrou-se orgulhosa em vencer quando a participação masculina é uma maioria “é um gosto diferente, pois os homens ficam envergonhados quando derrotados por mulheres. E eu gosto especialmente de os derrotar”, admite com um enorme sorriso. |









A jovem Ana Rita Rodrigues preenche um dos lugares prestigiados entre os melhores atiradores portugueses. Familiarizada com os campeonatos europeus e mundiais, aos 19 anos, as armas não guardam segredos para ela e junta troféus.
Comentários