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Escrito por Paulo Magalhães    Quinta, 03 Novembro 2011 09:28    PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Adriana Henriques Apresenta: “Máquinas Alternativas”
Avaliação: / 8
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Com novos sistemas e novas tecnologias surgem também novas perspectivas.
Cada actualização que se acumula sobre a carcaça do obsoleto, surge sempre uma nova linguagem que lhe atribui sentido. É precisamente esta mudança de perspectiva que aqui é explorada.
Pretende-se revelar o espírito profundamente imbuído na noção que a cultura assim adquire de si mesma e que, muitas vezes, só se manifesta no modo que esta encontra de se sublimar, quer através da arte quer através do entretenimento imediato.
É aqui exposto o modo de ver, decisiva e profundamente influenciada na medida em que a tecnologia assim me obriga. É retratada uma estética surgida através da percepção do espaço e do corpo segundo o critério estabelecido pela natureza da própria essência do fenómeno electrónico. Estabelece-se assim uma espécie taxinomia de instantes singulares, exemplares “apropriação de bonecos”, matematicamente repetitivos e seriados, em que o corpo, o tempo, o espaço e a luz se desdobram.
Trata-se de uma reprodução do ponto de vista característico da junção dos vários fenómenos perceptivos estimulados pela mecanização da linguagem visual, progressivamente incorporada na forma como os próprios indivíduos comunicam e se percebem.
Tratam-se assim de relatos da dimensão maquinal do ser humano que se degrada sistemicamente e ao mesmo tempo que esta paralisa com o fenómeno de desactualização electrónica. O indivíduo torna-se assim, tão obsoleto, tão desgastado quanto a música fabricada na contingência da moda e do mercado, e da tecnologia que lhes dá origem e sentido.
Pretende ser, deste modo, um retrato amoral do modo como o corpo é individual e colectivamente percebido, datado, modificado e reactualizado, tanto em termos físicos como perceptivos, pela própria cultura em que se move.
Acentua-se aqui o diálogo entre máquinas e seres humanos no processo de obsolescência e actualização.
Ambos são retratos enquanto carcaças de autênticos objectos culturais, declarados extintos, ainda no momento em que saem de cena e cuja alma é percebida numa selecção compartimentada através das diferentes janelas abertas sobre o processo de intersecção entre o ser humano e tecnologia presentes nesta série.
Deleuze diz-nos que “o nosso problema é hoje o de como inventar uma nova personagem para a “conversão empírica” que uma vez mais restaure a nossa crença no mundo”.
A resposta talvez não esteja num corpo melhor ou num corpo utópico, como diz José Bragança de Miranda, quando refere a parábola de Põe “basta um braço certo na altura certa. É apenas isso que devemos esperar (…). É preciso que o “braço” já tenha vindo, em cada um. Só é aceitável o acto que propicia a vinda desse “braço” (…). A vir sendo o braço certo poderá ser o braço de um homem, de um monstro ou de um “cyborg”, mas será sempre um braço humano”.
Vivemos o tempo em que parece que tudo se derrete, que tudo se estilhaça.
Vivemos o princípio de novas ligações, de novas conexões, de novas construções.
O projecto “Máquinas Alternativas” preanuncia a construção de um subcorpo que ajude no processo “sublevação”, o corpo que nunca é completo.
O projecto propõe, dentro de uma zona de indeterminações, subcorpos que ultrapassam as fronteiras do formalmente comum ou das identidades conhecidas e nos lançam sobre uma nova plataforma relacional. Tratam-se de elementos de conexão, de acessibilidade, de tolerância, de conhecimento.
Subcorpos agenciados, constantemente a refazerem-se em redobrados arranjos, em redobradas soluções formais.
Subcorpos que abrem para uma nova profundidade. Há neles um núcleo vital que permanece e lhes oferece um sentido, o de um corpo gerador de novas experiências, de novos sentidos, de novos afectos.
No actual espaço Central Hídrica em Vila Nova, o que encontramos é um local de estudo, investigação, exposição, onde se percebe que há um processo de pesquisa a decorrer, quer pela diversidade de linguagens e métodos utilizados, quer também pelo rasto de material em bruto, em potência ou mesmo simples desperdício.

Ficha Técnica

Designação do Projecto:  “Máquinas Alternativas”

Localização: Central Hídrica de Vila Nova



Organização

Grupo EDP



Direcção, Produção, Coordenação e Comissariado

Adriana Henriques


 

Comentários 

02011-11-03 14:40#
Parabéns Adriana e muito Sucesso , és uma lutadora
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02011-11-03 22:43#
existem varios tipos de pessoas,aqueles que querem ter notoriedade,tal vez por ocuparem cargos supostamente relevantes,so que nao passam da vulgaridade,por que sera?eu sei ,falta lhes humildade,compe tencia e acima de tudo esse carisma que te caracteriza e que te talha para o sucesso,para inveja de muita gente.estas em todo lado,todos falam de ti positivamente,j ornais ,revistas...esta exposiçao no grupo edp sera mais um sucesso ,nao ha duvidas,muitos parabems!
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02011-11-03 23:04#
Força amiga.
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02011-11-03 23:30#
A Dr. Adriana Henriques é o orgulho de todos os vieirenses representa muito bem a nossa cultura leva o nome de vieira além fronteiras.Parabéns e continuação de muito sucesso.
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02011-11-10 18:47#
Parabéns Adriana :D Não pude estar mas não vou deixar de visitar a exposição. As maiores felicidades para ti e para o teu trabalho.
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