Como a mentira de David teve perna curta!

Para promover um novo tema, o cantor David Carreira e a sua agente mentiram aos jornalistas e quebraram “o dever de respeito com a imprensa”. Especialista em marketing, Duarte Vilaça sublinha que “não vale tudo para bem ou para o mal”. Decisão sobre a campanha foi tomada sem consenso entre as pessoas que trabalham com o cantor.

Esta terça-feira, o filho do meio de Tony Carreira, David, fez crer que tinha sido detido nos Estados Unidos quando gravava um videoclipe. Joana Neves de Sousa, agente do artista, confirmou a informação à imprensa, adiantando que o caso tinha origem em “problemas com autorizações para gravar no local”. Segundo a mesma fonte, advogados estariam a acompanhar o caso, para que o David regressasse a Portugal.

Depois de perceber o impacto que a notícia estava a ter nos meios de comunicação em Portugal e entre os fãs, o cantor recorreu ao Instagram para revelar a farsa montada com o seu agenciamento. “Preso? eu? Só no videoclip mesmo. Obrigado aos fãs que me ajudaram nesta ação de lançamento do novo single”, escreveu David Carreira na rede social, mostrando o resultado da brincadeira que foi realizada em Portugal e não nos Estados Unidos, como tinha feito acreditar.

“Uma manobra de marketing infeliz e que teve perna curta. E menos feliz face à marca e à concretização, até porque não teve a piada de levar isto até ao fim”, avalia Duarte Vilaça, o diretor da agência criativa Born.

No caso de David Carreira, a imprensa confirmou junto da agente do cantor, que atestou como verdade o que era uma farsa

O especialista em marketing defende que esta estratégia de promoção de David Carreira não corresponde à marca que o cantor tem vindo a cimentar e que é necessário existir coerência, até porque, “hoje em dia, uma marca não se gere só em termos do público final”. “É preciso haver uma boa gestão de todas as pessoas que estão na constelação de promoção das marcas, onde se incluem os jornalistas”, acrescenta.

Num registo coerente, Duarte Vilaça dá como exemplo Borat, a personagem criada pelo humorista britânico Sacha Baron Cohen, que faz parte de “uma série de artistas cuja natureza é desafiar as regras”.

Já em David, Duarte reconhece rebeldia, mas não a conduta esta terça-feira registada, pois “parece que saiu da sua própria linha e da consistência da sua marca”.

“Os artistas se querem uma carreira de longevidade têm que usar da inteligência, pois não vale tudo para bem ou para o mal. Não pode arriscar em inconsistências e quebrar o dever de respeito com a imprensa. Não me parece muito inteligente, sob pena de ser um desastre em termos de gestão e reputação”, explica.

Duarte Vilaça reconhece ainda que, muitas vezes, há ações que pretendem “confirmar a fragilidade dos média, mas não foi o que aconteceu”. No caso de David Carreira, a imprensa confirmou junto da agente do cantor, que atestou como verdade o que era uma farsa.

“Um jornalista não está à espera de uma encenação”

Habituada a analisar a atualidade e doutorada em Comunicação Social, Felisbela Lopes lembra que “um agente não pode dialogar com os jornalistas num registo de marketing, mas só no registo da verdade e de rigor, pois está a informar”.

Dessa forma, o que aconteceu com a falsa detenção de David Carreira “é uma mentira, não é marketing, pondo em causa a credibilidade do agente”, descreve ao JN a professora associada com agregação da Universidade do Minho.

“Um jornalista quando pergunta alguma coisa a um agente não esta à espera de uma encenação, mas sim da verdade, até porque é esse compromisso que tem para com o leitor. Quando não quer ou não pode comentar ou responder, é melhor não dizer nada”, explica Felisbela Lopes.

O JN sabe que a manobra foi reprovada por algumas pessoas próximas do artista e que trabalham diariamente com ele, por acharem que “não era boa ideia”, mas nenhum argumento foi suficiente para o demover e a quem o representa. Depois de garantir que David estava detido nos Estados Unidos, Joana Sousa deixou de atender o telemóvel e também não respondeu às SMS.

Para conquistar fãs e promover músicas, David Carreira já pisou o risco mais do que uma vez. Esta terça-feira, inventou uma detenção, mas antes conduziu sem cinto, saltou de um carro em andamento e até usou levianamente um carro da PSP em filmagens, causando sempre polémica.

IN: JN/Sara Oliveira

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